Você é apenas uma pessoa

Fotografia Maria Eunice Gerard

 
 
Embora estejamos vivendo os anos de um novo milênio, alguns conceitos de séculos passados continuam a vigorar entre nós.
Um deles, muito arraigado, é o de que homem não chora. Apesar do testemunho de algumas celebridades masculinas que afirmam ter chorado, mais de uma vez, ante grandes dificuldades, a maioria dos homens ainda acredita que não deve se permitir chorar.
Chorar denota fragilidade. E o sexo masculino é o sexo forte.
Com aquele pai, recentemente divorciado, não era diferente. Até há poucos meses, ele estava casado e tinha com quem dividir as tarefas domésticas, as contas do mês, as inquietações e tristezas.
Mas, agora, estava sozinho. E com dois filhos.
Naquele dia, ele chegou do trabalho, deu banho nos meninos, enquanto eles riam de puro prazer e jogavam espuma um no outro.
Ouviu as gargalhadas deles, correndo pela casa, em brincadeiras barulhentas. Tendo conseguido acalmá-los um pouco, os levou para a cama.
Cinco minutos de massagem em cada um deles. Depois, o violão e canções folclóricas, diminuindo devagar o ritmo e o volume até ter certeza que eles dormiam.
Ele estava determinado a lhes proporcionar uma vida doméstica, a mais estável e normal possível.
Contudo, estava sendo difícil!
Saiu do quarto, desceu as escadas e foi até a cozinha. Sentou-se numa cadeira, colocou os cotovelos sobre a mesa, as mãos no rosto e desabou a chorar.
Desde que chegara, era a primeira vez que sentava. Tinha cozinhado, servido o jantar, cuidado para que as crianças comessem.
Enquanto lavava a louça, supervisionara a lição de casa do filho que estava na segunda série. Tinha elogiado os desenhos do mais novo e as suas construções com blocos.
Agora, estava ali, sozinho. Sentia o peso da responsabilidade, a solidão. E a preocupação com as contas a pagar. Conseguiria dar conta de tudo?
Ele se sentia como se estivesse no fundo de um mar, indefeso, perdido. O choro se tornou convulsivo e os soluços o sacudiram.
Nessa hora, um par de bracinhos lhe rodeou a cintura e um rostinho o examinou com atenção.
Ele olhou para a carinha simpática do filho de cinco anos. Envergonhou-se por estar chorando.
Desculpe, falou, não sabia que você não estava dormindo. Eu não queria chorar. Desculpe. Estou um pouco triste hoje.
O menino passou a mãozinha no rosto em lágrimas, fazendo carinho, foi se aconchegando no colo do pai, recostou a cabeça em seu peito, os bracinhos rodeando-lhe o pescoço.
Então, com a sabedoria da inocência, falou:
Está tudo bem, papai. Não tem problema chorar. Você é apenas uma pessoa.
*   *   *
Você é apenas uma pessoa! Uma pessoa que tem sentimentos de dor, solidão, impotência. Que ama e deseja ser amado. Que tem carências.
Pai ou mãe, você não deixa de ser um ser humano, com todas as fraquezas próprias da Humanidade.
É bom que seus filhos saibam que você sente dor, saudade, frustração. Que não é um super-herói ou a mulher maravilha.
Demonstre seus sentimentos e fale a eles a respeito.
Família, em essência, significa amor, dedicação, auxílio mútuo, um ombro amigo para chorar.
Mesmo que seja de uma criança de apenas cinco anos de idade.
 
Crédito: Redação do Momento Espírita, com base no cap.  Permissão para chorar,
 de Hanoch McCarty, do livro 
Histórias para aquecer o coração dos pais,
 de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jeff Aubery e Mark &
 Chrissy Donnely, ed. 
Sextante.
Em 8.8.2016.

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Karen

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