O paciente do leito seis

Fotografia Maria Eunice Gerard

A enfermeira, nova no hospital, estava ansiosa para começar seu turno à noite.
Designada para a enfermaria, ouviu atentamente as orientações e recomendações da enfermeira chefe.
Ao fazer a checagem de pressão e temperatura do paciente do leito número seis, percebeu que ele dormia profundamente, mas tinha um sorriso nos lábios.
Ele sofrera um Acidente Vascular Cerebral – AVC, que lhe afetara gravemente a fala e os movimentos.
Com o passar dos dias, ela observou que o quadro do paciente se mantinha o mesmo, mas ele conservava, mesmo dormindo, o sorriso no rosto.
No fim de semana, trocou o plantão com uma colega e trabalhou durante o dia. Teve uma surpresa.
O paciente daquele leito recebia visitas durante todo o período de visitação. Pessoas se revezavam e iam contar histórias, cantar, orar por ele, aplicar passes.
A todos ele recebia com o mesmo sorriso. Seus olhos, muitas e muitas vezes, lacrimejavam de emoção e alegria. Percebia-se que queria falar algo, mas não conseguia.
No entanto, apesar de toda a limitação para se comunicar, ele conseguia sorrir. Sorria com olhos e lábios. Piscava de diferentes formas e com variadas velocidades, expressando, assim, sentimentos e emoções.
Cada um que entrava no quarto era recebido com um sorriso luminoso.
O corpo de enfermagem estava intrigado e encantado. Aquele paciente devia ser muito querido. As pessoas se revezavam, diariamente, para tentar deixá-lo o mais confortável possível, e isso suscitava questionamentos: quem é ele? O que faz?
As indagações começaram a ser feitas aos visitantes.
É um amigo querido, diziam uns. É um mestre, falavam outros. É um ser de luz, acrescentava um terceiro.
Era definido com muitas palavras e qualidades: colega amoroso, parceiro sensível, companheiro maravilhoso, amigo incrível.
Para enfermeiros e médicos, passou a ser o querido paciente do leito número seis. Para os amigos, um ser humano de primeira grandeza. Para os familiares, luz e amor.
Seu quadro se agravou quando ele teve outro AVC. Dias depois, retornou à pátria espiritual.
No hospital, deixou lembranças lindas e profundas em todos os que conviveram com ele. Deixou, acima de tudo, um exemplo de resignação.
Recebia a todos com um inesquecível sorriso, mesmo que estivesse com dor ou mal-estar.
Olhava a todos nos olhos, e seu olhar parecia agradecer os cuidados e o carinho recebidos.
Ele realmente era grato por tudo o que faziam por ele, e sua atitude traduzia sua petição ao Pai Celeste para que abençoasse cada visitante, cada pessoa encarregada da faxina ou da manutenção dos aparelhos, cada enfermeiro e cada médico que adentrava a enfermaria.
Ele sabia que sua jornada na Terra estava no fim, e agradecia por tantas pessoas a deixarem menos penosa.
Partiu desejando luz a todos os que se empenharam em tornar sua vida menos solitária e seus últimos momentos tão agradáveis.
Deixou, acima de tudo, uma lição de vida para os que conviveram com ele: aqueles que sabem conviver, amar, compartilhar alegrias e espalhar gratidão nunca ficam sós... E nunca partem sós.
Crédito: Redação do Momento Espírita.
Em 17.11.2016. 

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