Alcançando a felicidade


 
 
Janete era bibliotecária. Desprovida de qualquer atrativo físico, desde a infância ouvira sua família dizer que ela era feia.
Assumira sua feiura, acreditando que nunca, ninguém a amaria. Na escola, as crianças debochavam dela. Na adolescência, os colegas a evitavam.
Jamais tivera um namorado. Aproximando-se os seus quarenta anos, ela entrou em depressão. Passava os dias na biblioteca e à noite, à frente da televisão.
Vivia sozinha. No trabalho, acreditava-se uma dessas pessoas invisíveis, isto é, que ninguém percebe.
Procurou uma terapeuta e iniciou as sessões, no intuito de se recuperar. Ali, enquanto aguardava, na sala de espera, ela foi olhando outras pessoas.
Pessoas que chegavam sem cabelo, por conta do tratamento quimioterápico; pessoas que tinham amputado um membro, por causa de alguma doença ou acidente; portadores de AIDS.
Quase todos chegavam acompanhados. Mas Will chegava sempre sozinho.
Embora tímida, ela começou a conversar. Ele era portador do vírus HIV. Tinha trinta e dois anos e era incrivelmente bonito.
Janete se ofereceu para ajudá-lo em suas idas ao consultório, e começou a levá-lo em seu carro.
Com o tempo, como ficasse mais fraco, ela passou a fazer as compras para ele.
Preparava comida extra em casa, congelava e levava para que Will jantasse. Tornaram-se amigos.
Quando ele começou a piorar, os pais o vieram visitar e desejaram levá-lo para sua cidade. Ele se recusou. Vivera na Califórnia tantos anos e queria continuar ali.
Um ano se passou e ele piorou ainda mais. Agora, precisaria de quem o cuidasse, todos os dias.
Mesmo com um emprego de horário integral, Janete mudou-se para a casa do amigo. Era uma grande responsabilidade. E um desafio.
Esqueceu de si mesma e dedicou-se a ele.
Semanas depois ele estava tão fraco que ficava na cama quase o tempo todo.
Um dia, quando voltou para casa, encontrou-o na sala. Ele estava recostado no sofá. Vestia terno e gravata. As roupas ainda lhe caíam com elegância, embora folgadas.
Estava de cabelos penteados, a barba feita. Ela imaginou o imenso esforço que tudo aquilo lhe devia ter custado.
Will olhou para ela, algum tempo. Então, se apoiou no sofá, dobrou o corpo sobre um dos joelhos e a pediu em casamento.
Pela primeira vez, Janete o abraçou e lhe disse como ele era importante para ela.
Dias depois, em plena primavera, ele se foi.
Quando retornou ao consultório da sua terapeuta, Janete estava diferente.
Havia um brilho diferente nos seus olhos acinzentados e uma doçura na voz, quando revelou: No meu coração, eu me casei com Will. Ele vai estar aqui comigo para sempre.
Deixara de ser a mulher amargurada e só.
*   *   *
Todos nascemos para a felicidade.
Quando alguém se dispõe a exercitar o amor, encontra significado para sua própria vida. E encontra alegria.
Não há limites para o que somos capazes de fazer. Desconhecemos nossa capacidade de amor e doação.
Quando nos dispomos a servir, projetamos luz em outras vidas. Luz que ilumina a nós mesmos, nos torna pessoas diferentes, mais doces, mais sensíveis.
Em uma palavra: pessoas mais felizes.
 
Créditos - Redação do Momento Espírita, com base no cap. O espelho,
 do livro 
As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen,
 ed. Sextante.
Em 10.2.2016.

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Karen

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