Gestos que salvam vidas


 
 
A chuva caía fina e gélida na tarde quieta. Longe, na estrada, um carro parou. Era pequeno e meio velho.
Um rapaz saltou, levantou o capô e se pôs a mexer em tudo que viu.
O fazendeiro, de onde estava, pensou: Coitado. Pelo jeito, não entende de mecânica.
Vestiu sua capa de chuva e caminhou até a estrada. O jovem estava muito nervoso, mexia no carro, voltava, tentava dar a partida, passava as mãos pelos cabelos.
Quer ajuda?
O rapaz parecia prestes a chorar.
É a bobina. – Diagnosticou o fazendeiro, depois de uma boa olhada.
Buscou seu cavalo, rebocou o carro até o seu celeiro e, com seu próprio carro, foi à cidade comprar uma bobina nova.
Estranhou que, ao chegar à loja, o rapaz não quisesse entrar. Deu-lhe o dinheiro necessário e disse que tinha vergonha, por estar molhado.
Mais tarde, com o carro funcionando, pronto para partir, a esposa do fazendeiro insistiu para que ficasse para o jantar.
Não era hábito convidar estranhos para adentrar a casa. Contudo, aquele rapaz parecia aflito, meio perdido. Poderia, talvez, ser seu filho.
Ele quase não comeu. Continuava preocupado, ansioso. A chuva se fez mais forte. O casal preparou o quarto de hóspedes.
Na manhã seguinte, suas roupas estavam secas e passadas. Ele se mostrava menos inquieto. Alimentou-se bem e despediu-se.
Quando pegou a estrada, aconteceu uma coisa estranha. Ele tomou a direção oposta da que seguia na noite anterior.
O casal concluiu que ele se confundira na estrada.
*   *   *
Os anos passaram. Então, chegou uma carta endereçada ao fazendeiro:
Sr. McDonald, não imagino que o senhor se lembre do jovem a quem ajudou, anos atrás, quando o carro dele quebrou.
Imagine que, naquela noite, eu estava fugindo. Eu tinha no carro uma grande soma de dinheiro que roubara de meu patrão.
Sabia que tinha cometido um erro terrível, esquecendo os bons ensinamentos de meus pais.
Mas o senhor e sua mulher foram muito bons para mim. Naquela noite, em sua casa, comecei a ver como estava errado.
Antes de amanhecer, tomei uma decisão. No dia seguinte, voltei ao meu emprego e confessei o que fizera.
Devolvi o dinheiro ao meu patrão e lhe implorei perdão.
Ele podia ter me mandado para a prisão. Mas, por ser um homem bom, me devolveu o emprego. Nunca mais me desviei do bom caminho.
Estou casado. Tenho uma esposa adorável e duas lindas crianças. Trabalhei bastante. Não sou rico, mas estou numa boa situação.
Então, resolvi criar um fundo para ajudar outras pessoas que cometeram o mesmo erro que eu. Dessa forma, acredito poder pagar pelo meu erro.
Que Deus o abençoe, senhor, e a sua bondosa esposa.
Os olhos do casal se encheram de lágrimas. A esposa colocou a carta sobre a mesa e citou versículos do capítulo vinte e cinco do Evangelho de Mateus:
Era peregrino e me recolheste. Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber.
Estava nu e me vestistes. Estava enfermo e me visitastes. Estava no cárcere e me fostes ver.
Em verdade, todas as vezes que fizestes isto a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.
 
Créditos: Redação do Momento Espírita, com base no cap. O visitante da noite, de Hartley F. Dailey, do livro Histórias para aquecer o coração dos pais, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jeff Aubery, Mark & Chrissy Donnely, ed. Sextante e noEvangelho de Mateus, cap. 25, vers.35, 36 e 40.
Em 4.11.2015.
 
 
Ouça o áudio no link http://momento.com.br/pt/index.php

2 comentários:

  1. Oi, Karen!

    Linda mensagem! Fazer o bem...
    Estamos em sintonia, coloquei uma história no meu blog também...

    Abraços, Cris

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  2. Oi KArem bom dia!!!! bela forma de começar o dia!!! Um texto bom de ler e meditar na força dos gestos de bem. Um beijo da Eliane.

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Adoro quando vocês comentam :)

Beijos,

Karen

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