Sob a sombra de um carvalho Não há como substituir um velho companheiro. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações; tantas emoções compartilhadas. Não se reconstroem essas amizades. É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve, se abrigar sob a sua sombra. O belo pensamento é de Saint-Exupéry, em seu texto Terra dos homens, e nos remete a uma temática deveras importante: a construção de nossas relações com os outros. Convidamos você, neste momento, a lembrar de um grande companheiro de sua vida: um velho companheiro, um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, irmã... Passe uma revista rápida pelos anos de convívio e tente perceber como essa relação se formou e se consolidou ao longo do tempo. Lembre-se das tantas emoções compartilhadas, dos momentos felizes e dos momentos tristes. Certamente a cumplicidade, a amizade, o devotamento não surgiram prontos, acabados. Certamente a confiança e o profundo apreço não nasceram repentinamente. Muito trabalho foi empregado aí, entre esses dois mundos de tantas afinidades, mas também de tantas diferenças. O carvalho plantado precisou de rega constante, esperançosa. Precisou de tempo, de sol e de chuva. Ambos hoje se abrigam sob sua sombra, depois de anos e mais anos de investimento mútuo. Assim, parece simples de se entender a afirmação de Exupéry de que é inútil plantar um carvalho na esperança de, logo em seguida, imediatamente após o plantio, já poder desfrutar de sua sombra. A árvore leva tempo para se tornar frondosa. Porém, o tempo apenas não é suficiente. Que adiantam cem anos de solo infértil, de estiagem, de falta de sol? Não, um carvalho não cresce sem o cuidado da natureza, assim como uma relação de companheirismo não sobrevive se não for cuidada de perto, todos os dias. Por isso, se desejamos poder deitar e curtir a sombra de um belo carvalho, lembremos de tratá-lo todos os dias com toda nossa dedicação. O velho e bom companheiro de amanhã poderá ser o irmão das lutas de hoje, aquele com quem temos dificuldades, mas que temos tolerado, compreendido. O carvalho moço ainda tem pouca e vacilante sombra. Ora está aqui, ora está acolá, sacudido pelos ventos das tempestades. O carvalho moço ainda não se vê árvore, não se crê capaz de quebrar a luz do sol gritante. Mas se bem cuidado vai se fortalecendo, agigantando a copa, e se tornando frondosa árvore. O velho e bom companheiro de amanhã é o amigo que nos estende a mão hoje, e não permanece muito tempo na espera de outra que o ampare. * * * Velho companheiro, de mil aventuras; Quantas experiências, vivemos os dois. ... Coisas que me ensinaste, para nada serviam... Mas bem me dizias: servirão depois. Sempre me aconselhaste: na justa medida, Vai gozando a vida... Sem nunca esqueceres, De praticar o bem. Porque a gente só goza, na justa medida, Se ajudarmos outros, a gozar também. Redação do Momento Espírita, com citação de Saint-Exupéry, do livro Felicidade, amor e amizade, ed. Sextante e de trecho de poema de Olímpio C. Neves, poeta de Luanda. Em 22.7.2013.

 
Não há como substituir um velho companheiro.
Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações; tantas emoções compartilhadas.
Não se reconstroem essas amizades.
É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve, se abrigar sob a sua sombra.
O belo pensamento é de Saint-Exupéry, em seu texto Terra dos homens, e nos remete a uma temática deveras importante: a construção de nossas relações com os outros.
Convidamos você, neste momento, a lembrar de um grande companheiro de sua vida: um velho companheiro, um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, irmã...
Passe uma revista rápida pelos anos de convívio e tente perceber como essa relação se formou e se consolidou ao longo do tempo.
Lembre-se das tantas emoções compartilhadas, dos momentos felizes e dos momentos tristes.
Certamente a cumplicidade, a amizade, o devotamento não surgiram prontos, acabados.
Certamente a confiança e o profundo apreço não nasceram repentinamente.
Muito trabalho foi empregado aí, entre esses dois mundos de tantas afinidades, mas também de tantas diferenças.
O carvalho plantado precisou de rega constante, esperançosa. Precisou de tempo, de sol e de chuva.
Ambos hoje se abrigam sob sua sombra, depois de anos e mais anos de investimento mútuo.
Assim, parece simples de se entender a afirmação de Exupéry de que é inútil plantar um carvalho na esperança de, logo em seguida, imediatamente após o plantio, já poder desfrutar de sua sombra.
A árvore leva tempo para se tornar frondosa. Porém, o tempo apenas não é suficiente.
Que adiantam cem anos de solo infértil, de estiagem, de falta de sol?
Não, um carvalho não cresce sem o cuidado da natureza, assim como uma relação de companheirismo não sobrevive se não for cuidada de perto, todos os dias.
Por isso, se desejamos poder deitar e curtir a sombra de um belo carvalho, lembremos de tratá-lo todos os dias com toda nossa dedicação.
O velho e bom companheiro de amanhã poderá ser o irmão das lutas de hoje, aquele com quem temos dificuldades, mas que temos tolerado, compreendido.
O carvalho moço ainda tem pouca e vacilante sombra. Ora está aqui, ora está acolá, sacudido pelos ventos das tempestades.
O carvalho moço ainda não se vê árvore, não se crê capaz de quebrar a luz do sol gritante.
Mas se bem cuidado vai se fortalecendo, agigantando a copa, e se tornando frondosa árvore.
O velho e bom companheiro de amanhã é o amigo que nos estende a mão hoje, e não permanece muito tempo na espera de outra que o ampare.
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Velho companheiro, de mil aventuras;
Quantas experiências, vivemos os dois.
... Coisas que me ensinaste, para nada serviam...
Mas bem me dizias: servirão depois.
Sempre me aconselhaste: na justa medida,
Vai gozando a vida... Sem nunca esqueceres,
De praticar o bem.
Porque a gente só goza, na justa medida,
Se ajudarmos outros, a gozar também.
 
Crédito: Redação do Momento Espírita, com citação de Saint-Exupéry, do livro Felicidade, amor e amizade, ed. Sextante e de trecho de poema de Olímpio C. Neves, poeta de Luanda.
Em 22.7.2013.

Um comentário:

Adoro quando vocês comentam :)

Beijos,

Karen

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